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Sobre a recuperação de lembranças perdidas devido a acidentes ou doenças

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Pode-se recuperar lembranças perdidas devido a acidentes ou doenças?

 

 

Cérebro pode se reorganizar após danos traumáticos

 

 

 

Pessoas que sofreram dano cerebral traumático (em inglês TBI) moderado a severo podem recuperar um pouco de sua memória usando redes cerebrais alternativas, de acordo com o novo estudo publicado em agosto de 2002 no Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry. Dano cerebral traumático, geralmente ocasionado em acidentes de tráfego, é uma das causas mais comuns de incapacidade em adultos. Pessoas com dano cerebral traumático reclamam freqüentemente de problemas de memória que interferem em suas funções diárias e na capacidade de trabalho. Eventualmente, muitos recuperam a memória e retornam ao trabalho ou à escola.

 

O estudo dirigido pelo cientista Brian Levine do The Rotman Research Institute no Baycrest Centre for Geriatric Care, comparou a função cerebral em dois grupos de adultos - seis pacientes que tinham sofrido dano cerebral traumático moderado a severo quatro anos antes (em alguns casos ficaram em coma por vários dias) e se recuperaram bem e 11 adultos saudáveis semelhantes ao grupo TBI em idade e nível educacional.

 

Os dois grupos realizaram testes de memória que envolviam olhar pares de palavras relacionadas na tela do computador (por exemplo pingüim e smoking) em curto espaço de tempo. Foi apresentada a primeira palavra de cada grupo e solicitado a lembrar a segunda palavra. Enquanto os testes eram feitos, a atividade cerebral era monitorada com tomografia por emissão de pósitron. Os pesquisadores compararam os padrões do cérebro em atividade em ambos os grupos quando tentavam recordar a segunda palavra. Apesar dos padrões serem similares durante o teste de recuperação de memória, pacientes com TBI mostraram extensa área de ativação frontal e posterior nas regiões cerebrais conhecidas por envolverem a memória. Esse foi o caso de pacientes que tiveram a mesma performance do grupo de adultos saudáveis. A extensa área reflete reorganização da função cerebral que parece ter ocorrido semanas e meses durante a recuperação do dano cerebral.

 

A abordagem usada nesse estudo é muito diferente do que usualmente utilizadas nas medidas clínicas da atividade cerebral enquanto paciente está em estado de repouso. Estes estudos tendem a enfatizar a ativação reduzida em pacientes com TBI.

 

As descobertas desse estudo pelo Dr. Levine e sua equipe mostram um quadro mais esperançoso ao identificar mudanças positivas do cérebro em pacientes que tiveram uma boa recuperação do TBI. Estudos similares foram feitos em pacientes com demência e idosos saudáveis, mas este é o estudo mais extenso e melhor controlado em pacientes com dano cerebral traumático. "O cérebro é um órgão flexível que pode ser compensado por danos atraindo novos sistemas para realizar as mesmas tarefas", diz Dr. Levine. A maior meta de uma pesquisa clínica é encontrar novos caminhos para aumentar o processo de recuperação, através de técnicas comportamentais e drogas. Estudos da visualização do cérebro como este pode ajudar a rastrear essas mudanças e entender porque alguns pacientes conseguem boa recuperação e outros não.

 

 

 

Fonte: Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry, 02/08/02.

 

 

 

 

 

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