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Revista Veja novembro de 2007

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Dormir para aprender

 

A ciência enfatiza que o sono é essencial à consolidação

da memória e ao desempenho intelectual. Ele define até

quais são os horários do dia mais favoráveis ao aprendizado

 

 
 
 
Segundo reportagem da Revista Veja (21 de novembro de 2007), pesquisas recentes mostram que  o armazenamento de novos conhecimentos que adquirimos ocorre durante o sono. O aprendizado, bem como a memória motora e a espacial, consolidam-se à noite, cada um deles em uma fase diferente do sono.  O processo de consolidação do aprendizado dá-se da seguinte forma:
 
1- As informações captadas ao longo do dia chegam ao hipocampo, região do cérebro onde fica uma  substância - a acetilcolina- capaz de receber e guardar temporariamente os conhecimentos.
 
2- Durante o sono, a acetilcolina permanece praticamente inativa, uma vez que o cérebro não recebe novas informações.
 
3- Os cientistas descobriram  que apenas com a acetilcolina inerte os neurônios conseguem formar uma rede por meio da qual as informações migram a outra região do cérebro, o neocórtex. É nela que fica armazenada, a longo prazo, a memória relativa ao aprendizado.
 
 
Cada etapa do sono é usada pelo cérebro para estocar determinado tipo de informação.  As músicas, por exemplo, são gravadas logo nos primeiros minutos, já aquelas ligadas ao pensamento  lógico e matemático são registradas durante as etapas finais dos ciclos do sono, ou seja, na fase REM (rapid eye moviment). A gravação feita pela memória é um processo químico, sem o qual os fatos dodia seriam simplesmente apagados. Na fase REM, uma substância-chave a acetilcolina, é responsável pela retenção das informações no hipocampo, região do cérebro onde os dados são armazenados temporariamente e de onde podem evaporar se não forem coletados a tempo para se tornar memória de longo prazo em outra área - o neocórtex. A relação entre sono e memória é de uma clareza geométrica - diz um dos pesquisadores, autores do estudo. Ele acrescenta mais: que as informações absorvidas quando a pessoa está sob algum tipo de emoção forte são justamente aquelas aptas a conquistar, durante a noite, um lugar definitivo no cérebro. Por isso é que as pessoas guardam com mais facilidade lindos momentos de suas vidas e também fatos desagradáveis. A conclusão das descobertas é que dormir é extremamente necessário para uma boa memória e que, para a maioria das pessoas, o repouso ideal tem a duração de oito horas, que é o tempo necessário para concluir cinco ciclos de sono - um padrão favorável, tanto para o repouso que o corpo necessita, como para a memória.   
 
    
 
 
Laboratório do sono na Universidade de Lübeck, na Alemanha: lá foi decifrado o processo de consolidação da memória
 
 
 
 
 

O SONO DOS GÊNIOS

 

A ciência do sono nem sequer existia quando alguns dos maiores gênios da história já intuíam que, de algum modo, o repouso tinha papel fundamental em seus inesgotáveis processos criativos. Cada um adotou uma rotina de descanso própria, por vezes excêntrica, em busca do sono perfeito. Três exemplos:

 
 

 

 

 
LEONARDO DA VINCI (1452-1519)

 

O pintor da Mona Lisa e idealizador do princípio do vôo do helicóptero perseguia o descanso da mente com uma rotina incomum: trocava o sono noturno por cochilos de quinze minutos a cada duas horas.

                          

                                                                                                                                                                            

THOMAS EDISON      (1847-1931)

 

O inventor da lâmpada mantinha um diário onde avaliava a qualidade do sono na noite anterior. Não queria perder tempo. Não passava

 

 

 
ALBERT EINSTEIN (1879-1955)

 

Ele hibernava dez horas seguidas todas as noites, exceto quando estava às voltas com uma nova idéia. Nessas ocasiões, premiava-se com uma hora extra na cama mais de três horas na cama.

 
 
 
 

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