"Nada há no intelecto que não tenha estado antes nos sentidos." Aristóteles
A memória é uma função inteligente. Permite que seres humanos e animais se beneficiem da experiência passada para resolver problemas apresentados pelo meio. Proporciona aos seres vivos diversas aptidões, desde o simples reflexo condicionado até a lembrança de episódios pessoais, e autilização de regras para a antecipação de eventos. Essa diversidade baseia-se no tripé aquisição, armazenamento e emprego de informações. Durante muito tempo debateu-se intensamente a possibilidade de a memória ser considerada uma função unitária ou de ser decomposta em diferentes sistemas. Rejeitada de início pelos cientistas, a idéia de que podem existir várias formas ou tipos de memória hoje afinal se impôs. As atuais teorias sobre a natureza dessa fragmentação estão próximas das que foram defendidas por filósofos como maine de Biran ou Henri Bergson no seculo XIX.
As emoções, a mente humana e a memória
É bem presente que, a todo momento de nossa vida, a cada minuto, estamos com algum estado de ânimo ou emocional determinado, e em determinado estado sentimental; e que ambos são facilmente mutáveis. Os estados de ânimo, as mudanças de humor e os estados sentimentais causam e são regulados por vias cerebrais muito bem definidas, que usam como neurotransmissores a noradrenalina, a dopamina, a serotomina e a aceltilcolina, cada uma delas atuando sobre receptores bem diferentes espalhados por todo o cérebro. Alguns desses estados favorecem a aquisição, consolidação ou evocação dos mais diversos tipos de memória, por ação das substâncias mencionadas sobre um ou outro receptor nas regiões cerebrais que fazem ou evocam memórias. Muitos recordaremos vivamente, anos depois, algum acontecimento feliz de nossa vida, por exemplo um determinado aniversário, ou o casamento, ou o nascimento dos filhos ou netos. A fidelidade da gravação e sua persistênsia são notoriamente menores quando se tratam de memórias menos importantes ou chamativas. Na hora da evocação, se produzirá um nível emocional maior ao evocar aquelas memórias mais emociantes do que outras.
A mente humana abrange, porem, muito mais do que memória. Nas funções mentais participam a percepção, o nível de alerta, a seleção do que queremos perceber, recordar ou aprender, a decisão sobre o que queremos fazer ou deixar de fazer, a vontade, a compreensão, os sentimentos, as emoções, os estados de ânimo e tudo aquilo que é englobado sob os conceitos de inteligência e consciência.
Todas essas variáveis são fortemente influenciadas pelas memórias e vice-versa; mas são entidades separadas da mesma e com mecanismos próprios. O hipocampo, estrutura do lobo temporal, e o cortéx subjacente estão fortemente vinculados com a formação e evocação de memórias. Mas também registram os níveis de alerta e as emoções, que regulam sua função mnemônica (memória).
Assim, a mente humana abrange muitos aspectos e não é possível estudá-la mem entendê-la, ainda que num nível elementar, sem levar em consideração todos esses aspectos. A mente influi sobre o corpo, o corpo influi sobre a mente.
fonte:MultiCiência:unicamp.br/artigos
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